quarta-feira, 13 de abril de 2011

AIMI KOBAYASHI (Rodolfo Benda)

Pianista clássica com apresentações formais desde os 4 anos de idade. video

sábado, 9 de abril de 2011

Cinema e Comportamento Motor (Rodolfo Benda) _ 2011

Uma questão recorrente nos temas apresentados nas telas (tanto nas telas grandes como nas telinhas de TV) tem sido a clonagem. A palavra clone deriva do grego klon (broto), e foi aplicado pelo botânico Herbert J. Webber como um descendente de um conjunto de células, moléculas ou organismos geneticamente igual à de uma célula matriz (http://www.brasilescola.com/biologia/clonagem.htm). O processo de clonagem utiliza células somáticas (que compõem os órgãos e tecidos) para a reprodução, ao invés de células sexuais (óvulo e espermatozóide). A primeira clonagem de animais ocorreu em 1996, na Escócia, caso que foi amplamente divulgado na imprensa, tornando a ovelha Dolly quase uma personalidade. Uma célula mamária foi utilizada e seu núcleo foi substituído pelo núcleo celular de um óvulo. Após um choque elétrico, os genes foram ativados e formaram novos embriões, que foram então introduzidos no útero até o seu nascimento. Uma das características observadas foi um envelhecimento precoce na vida de Dolly, que morreu dois anos após seu nascimento (http://www.suapesquisa.com/clonagem/).

Tal estudo científico mexeu com a imaginação dos produtores e levou a vários filmes que desenvolvem suas tramas partindo da idéia geral de um clone. “Eu, minha mulher e minhas cópias” (1996) com Michael Keaton, o brasileiro “Uma aventura do Zico” (1998), “O sexto dia” (2000) com Arnold Schwarzenegger, e mais recentemente “O clone” (2004) com Christopher Lambert e Nastassja Kinski são alguns dos filmes produzidos após o fenômeno Dolly. Tais filmes parecem entender o processo de desenvolvimento limitado à ação de aspectos genéticos. Logo, se os aspectos genéticos são similares, todos os comportamentos serão também similares. Doce ilusão... As pessoas são diferentes e mesmo com código genético similar, os interesses, motivações, vocações e experiências são diferentes, o que leva a comportamentos diferentes. Mas a mística do clone é justamente uma pessoa idêntica a você, capaz de substituí-lo em todas as funções, isto é, a sua cópia. No filme “Eu, minha mulher e minhas cópias”, um arquiteto, pressionado por suas demandas profissionais, dedica pouco tempo às atividades em família. Assim, solicita a um amigo geneticista que faça três clones para substituí-lo no seu trabalho.

Numa primeira crítica ao filme, os clones já nascem adultos, desprovidos de infância e desenvolvimento. Além disso, já nascem com a memória e competência do “original”. Quando o substituem no trabalho, mostram o conhecimento para a intervenção profissional sem nunca terem passado por um curso superior de arquitetura. Ora, o que é aprendido é transmitido geneticamente? Vamos retomar o debate entre Darwin e Lamarck? Nesta discussão, a transmissão genética de habilidades adquiridas tem sido especulada na cultura popular, especialmente quando se trata de atletas vencedores. Afinal, “filho de peixe, peixinho é”... Imagine então um clone... Esta visão distorcida da realidade ainda é o que a sociedade infere sobre Comportamento Motor. Se você é filho de um atleta habilidoso, irá herdar as habilidades por ele aprendidas. Se fosse então clone deste atleta, iria apresentar as mesmas competências. O filme brasileiro “Uma aventura do Zico”, estrelado pelo próprio atleta (hoje técnico e empresário do futebol) apresenta como enredo um filho de magnata que não é selecionado para uma equipe de futebol. Seu pai então contrata um cientista para produzir um clone do Zico, que com a mesma competência do atleta, seria o professor ideal para então ensinar futebol ao seu filho.

Observamos nestes exemplos que a visão de desenvolvimento pautada apenas nas características genéticas é dominante na sociedade, confirmadas pelos estúdios de cinema. Faltam nestes filmes esclarecer que um clone não teria as mesmas competências que seu “doador”. As competências de uma pessoa são construídas ao longo da sua história de vida. Um clone teria outra história de vida, passaria por experiências distintas na infância, adolescência e chegaria à idade adulta com o mesmo código genético do “doador”, porém com comportamentos e competências diferentes, pois como um de seus princípios, o desenvolvimento é individual.

Comportamento Motor e Cinema (Rodolfo Benda)_ 2010





Leia os dois últimos comentários postados, muito profundo o nível da discussão (Guilherme).
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